O Paraguai está deixando de ser apenas um celeiro. Um estudo recém-divulgado pelo Banco Central do Paraguai, em parceria com o Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR), aponta uma mudança de fundo: nos últimos 17 anos, um de cada quatro dólares de investimento estrangeiro que entrou no país foi para a indústria manufatureira, e não para o campo.
Um quarto do capital vai para a indústria
O dado vem do estudo que caracteriza o investimento direto no país entre 2008 e 2024. Ele quebra a imagem de um Paraguai puramente agrícola: a indústria de transformação já é um dos principais destinos do capital que chega de fora. É o retrato de um país que agrega valor, monta fábricas e exporta produtos acabados, e não apenas soja e carne.
Cerca de US$ 10 bilhões em 17 anos
Os números de fundo ajudam a dimensionar. Entre 2008 e 2024, o Paraguai acumulou cerca de US$ 10 bilhões em fluxo líquido de investimento direto, uma média perto de US$ 600 milhões por ano, o equivalente a 1,6% do PIB. Não é um volume gigante em termos absolutos, mas é constante, e a fatia crescente da indústria é o que mais chama atenção nesse desenho.
A maquila como motor
O símbolo dessa virada é a maquila, o regime que permite industrializar no Paraguai para exportar. Hoje ela emprega mais de 36 mil pessoas, cerca de 6% a mais que no ano passado, e vem batendo recordes, como detalhamos na notícia sobre a maquila que exportou US$ 717 milhões no semestre. É esse regime que atrai boa parte das fábricas brasileiras que cruzam a fronteira, tema do guia sobre maquila e zonas francas.
O que muda para quem pensa no Paraguai
Para o empresário brasileiro, a leitura é direta: o Paraguai virou plataforma industrial, e não apenas base de custo baixo. Isso conversa com o capital que já colocou o Brasil na liderança do investimento estrangeiro no país, e com a maturação da economia do Paraguai como um todo.
Fica a ressalva de sempre: industrializar-se não muda o princípio territorial nem as regras de residência, e a renda de fonte estrangeira segue, em regra, isenta com residência efetiva. O que muda é a natureza da economia, cada vez menos dependente só do que se planta.
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Fontes oficiais: Banco Central do Paraguai + Fondo Latinoamericano de Reservas (FLAR), estudo "Caracterización de la Inversión Directa en Paraguay 2008-2024"; cobertura da imprensa econômica paraguaia (El Trueno, ABC Color, agosto de 2026). Situação: agosto de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Consultor de residência no Paraguai
Vive em Assunção e acompanha brasileiros e portugueses no caminho até a residência, a cédula e uma estrutura fiscal eficiente no Paraguai.
Com apoio local de
Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção
Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.




