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Maquila e zonas francas no Paraguai: guia completo
Vida no Paraguai

Maquila e zonas francas no Paraguai: guia completo

Como funciona a maquila no Paraguai (Lei 7547/2025, tributo único de 1 %) e as zonas francas: para quem serve, custos, setores e passo a passo.

Yannick SchrothYannick Schroth
13 min de leitura

Quando um industrial brasileiro olha para o Paraguai pela primeira vez, quase sempre a energia é o que chama a atenção. Depois vem o custo da mão de obra, a carga tributária baixa e a proximidade com o mercado do Mercosul. Só que existe uma peça que muita gente demora a entender e que muda a conta inteira: o regime de maquila.

É por meio dele que empresas montam, industrializam e exportam a partir do território paraguaio pagando um tributo único de 1 %, calculado sobre o valor agregado no país ou sobre a fatura de exportação, o que for maior. Não é um detalhe contábil, é o motor de boa parte da indústria de exportação paraguaia.

Este texto explica, de forma direta, como funcionam a maquila e as zonas francas no Paraguai em 2026: para quem cada regime serve, o que realmente custa operar, quais setores já estão instalados e qual é o caminho prático para aprovar um programa. A parte societária, aduaneira e fiscal desse movimento corre com assessores locais em Assunção e em Ciudad del Este; o que segue é um mapa geral para chegar a essas conversas com as perguntas certas, não um estudo de viabilidade.

Vai ter equipe? Entenda os custos em contratar funcionários no Paraguai.

O que é o regime de maquila no Paraguai

A maquila paraguaia nasceu com a Lei 1064/97, mas a base legal hoje é a Lei 7547/2025, do Régimen de Maquila, em vigor desde setembro de 2025 e regulamentada pelo Decreto 5714/2026. Os programas aprovados sob a lei antiga tiveram 12 meses de transição e agora seguem o regime novo, que também reconhece de forma expressa a maquila de serviços.

A ideia por trás do regime é simples de enunciar. Uma empresa instalada no Paraguai, chamada maquiladora, presta serviços ou industrializa bens sob contrato de uma empresa no exterior, a matriz, usando insumos que em regra entram no país sem pagar os tributos de importação. O produto acabado é então exportado. O Paraguai empresta território, energia e trabalho; a mercadoria só passa por ali para ganhar valor e sair de novo.

O ponto que torna o modelo atraente é o tratamento tributário. Em vez de a maquiladora enfrentar a carga cheia de importação e de imposto sobre a renda, ela recolhe um tributo único de 1 %, aplicado sobre o valor agregado gerado dentro do Paraguai ou sobre o valor da fatura de exportação, prevalecendo a base maior. Os insumos importados para transformação e reexportação ficam, em princípio, suspensos dos tributos aduaneiros enquanto seguem o fluxo do programa aprovado.

Vale confirmar cada percentual e cada isenção com um assessor local, porque o enquadramento depende do contrato e da atividade específica.

Como funciona o tributo único de 1 % da maquila

Aqui é onde mora a confusão mais comum, então vale ir devagar. O tributo tem duas bases possíveis, e a lei manda usar a maior. A primeira é o valor agregado em território paraguaio, ou seja, o que o Paraguai efetivamente adicionou ao produto: bens e serviços contratados no país, salários e encargos, depreciação e outros custos incorridos ali dentro. A segunda é o valor da fatura de exportação. Calcula-se 1 % sobre as duas, e recolhe-se o resultado mais alto.

Na prática, o imposto nunca fica abaixo de 1 % do valor exportado. Um bem feito quase só com componentes importados gera pouco valor agregado local, mas paga sobre a fatura, por isso a conta não pode partir só dos custos no Paraguai. O regime também permite vender no mercado paraguaio até 10 % do volume exportado no ano anterior; essa fração sai do guarda-chuva do tributo único e segue as regras tributárias comuns. Por isso a maquila é, por natureza, um regime de exportação.

Ela recompensa quem produz para fora, não quem quer abastecer o consumo interno.

Para quem serve a maquila: indústria, montagem e serviços

O perfil clássico da maquila é a indústria de transformação e de montagem. Empresas que recebem partes e peças, montam produtos e reexportam encontram no regime o seu ambiente natural: confecção e têxtil, autopeças e chicotes elétricos, plásticos, calçados, componentes eletrônicos e produtos de metal aparecem com frequência. A lógica é a mesma que consagrou o modelo maquilador em outros países da região, adaptada à escala e aos custos paraguaios.

O que muita gente não sabe é que a maquila paraguaia também admite serviços. A chamada maquila de serviços permite que atividades como processamento de dados, call center, software, engenharia e certas etapas administrativas sejam prestadas a partir do Paraguai para uma matriz no exterior sob o mesmo regime. Isso abre a porta para empresas que não têm uma linha de montagem física, mas que exportam trabalho qualificado.

Se o seu negócio é digital e você quer entender também a rota da residência pessoal, vale ler antes o nosso guia sobre abrir empresa no Paraguai e escolher a estrutura certa, porque a decisão societária vem antes da decisão de regime.

Zonas francas no Paraguai: o outro caminho de exportação

A maquila não é o único mecanismo. O Paraguai também tem zonas francas, áreas delimitadas onde empresas usuárias operam com um tratamento aduaneiro e tributário próprio. Dentro da zona franca, a mercadoria entra sem os tributos de importação e a empresa que exporta para fora do território paraguaio recolhe um imposto de zona franca sobre o faturamento das operações de exportação, historicamente citado na casa de meio ponto percentual. É um número que muda conforme a norma vigente, então trate-o como referência a confirmar, não como valor fixo.

A diferença de filosofia é importante. A zona franca é um espaço físico com regime próprio, boa para armazenagem, logística, distribuição regional e industrialização de bens que serão reexportados. A maquila, por sua vez, é um regime que se vincula a um contrato de industrialização com uma matriz no exterior e pode ser instalado fora de um perímetro especial, na fábrica que fizer sentido. Uma trading que monta um centro de distribuição para a América do Sul pensa em zona franca.

Uma indústria que monta produto sob encomenda de uma controladora lá fora pensa em maquila. Há casos que combinam os dois mundos.

Pensando em levar sua operação industrial para o Paraguai? A escolha entre maquila, zona franca e empresa comum fica com advogado, contador e despachante. Do nosso lado, agende uma conversa com a nossa equipe sobre a residência de quem vai comandar a fábrica e a abertura da empresa pelos parceiros locais.

Os custos que fazem a conta fechar: energia e mão de obra

O grande argumento econômico do Paraguai é a energia. O país é um dos maiores exportadores de energia limpa do mundo graças às hidrelétricas binacionais, e a tarifa industrial costuma ser bastante competitiva no comparativo regional. Para operações eletrointensivas, isso muda o jogo, porque a energia deixa de ser um custo secundário e vira uma vantagem estrutural difícil de replicar do outro lado da fronteira.

Represa de Itaipu, símbolo da economia do Paraguai
Represa de Itaipu, símbolo da economia do Paraguai

O segundo pilar é a mão de obra. Os salários paraguaios são, em média, mais baixos que os brasileiros, os encargos trabalhistas têm uma estrutura mais leve e o país tem uma população jovem. Some a isso um custo imobiliário e de instalação menor, um câmbio que ajuda quem fatura em moeda forte e uma carga tributária geral baixa, e você entende por que tantas indústrias fizeram as contas e cruzaram a fronteira.

Nada disso, porém, dispensa uma modelagem cuidadosa: produtividade, logística e curva de aprendizado da equipe entram na conta tanto quanto a tabela de salários.

Setores que já usam maquila e zonas francas

Vale olhar quem já está lá para calibrar expectativas. A confecção e o têxtil foram dos primeiros a chegar, atraídos pela mão de obra. As autopeças e os chicotes elétricos para a indústria automotiva se tornaram um dos carros-chefe da maquila paraguaia, com fábricas que exportam para montadoras da região. Plásticos, embalagens, calçados, produtos farmacêuticos, alimentos processados e itens eletrônicos completam um quadro que ficou mais diverso na última década.

Do lado dos serviços, cresceram os centros de atendimento, o processamento de informação e o desenvolvimento de software voltado ao exterior. Já a fronteira leste, em torno de Ciudad del Este, concentra uma dinâmica comercial e logística intensa que dialoga com as zonas francas e com o comércio regional. Se o seu interesse passa por essa região, o texto sobre comércio de fronteira em Ciudad del Este mostra como o ecossistema funciona na prática.

E quem vem do agro encontra pontes naturais entre produção rural e industrialização, tema que exploramos no guia de agronegócio no Paraguai para brasileiros.

Passo a passo e requisitos para aprovar uma maquila

Montar uma maquila não é preencher um formulário no balcão. O coração do processo é a aprovação de um programa de maquila. O Conselho Nacional das Indústrias Maquiladoras de Exportação, o CNIME, analisa o pedido e emite um informe técnico; com base nele, os ministros da Indústria e Comércio e da Economia e Finanças aprovam o programa por resolução biministerial. Em linhas gerais, o caminho costuma seguir esta sequência:

  1. Constituir uma empresa paraguaia, geralmente uma SRL, uma SA ou uma EAS, com RUC ativo junto à autoridade tributária.
  2. Firmar o contrato de maquila com a matriz no exterior, definindo o que será industrializado ou prestado e sob quais condições.
  3. Apresentar o programa de maquila ao CNIME, com projeto técnico, previsão de insumos, mão de obra, investimento e volume de exportação.
  4. Obter a resolução biministerial que aprova o programa e autoriza a importação temporária de insumos e o enquadramento no tributo único.
  5. Iniciar a operação com contabilidade e controle aduaneiro em dia, prestando contas dos fluxos de entrada e saída.

Cada uma dessas etapas tem exigências documentais próprias e prazos que variam. Os requisitos práticos mais comuns são ter a estrutura societária constituída, um projeto econômico consistente, capacidade de exportar e uma contabilidade que dê conta de rastrear o valor agregado. Um erro frequente é subestimar essa última parte: sem controles limpos, a base do tributo único fica difícil de defender numa fiscalização.

Maquila, empresa comum ou zona franca: qual escolher

A pergunta que todo mundo faz no fim é qual regime adotar, e a resposta honesta depende de onde a receita nasce e para onde a mercadoria vai. Uma empresa comum paraguaia paga o IRE de 10 % sobre o lucro de fonte local e o IVA sobre as vendas internas, e é o caminho de quem produz ou vende dentro do país. Faz todo sentido para o negócio voltado ao mercado paraguaio, mas não é o mais eficiente para quem exporta a maior parte da produção.

A maquila brilha quando existe uma matriz no exterior e um fluxo de industrialização para reexportação: o tributo único de 1 %, sobre o valor agregado ou a fatura de exportação, o que for maior, tende a resultar numa carga menor do que a via comum. A zona franca brilha quando o eixo é logística, armazenagem e distribuição regional a partir de um perímetro dedicado, com o seu imposto próprio sobre as exportações. Muitas operações maiores acabam combinando peças dos dois regimes.

Antes de decidir, vale confrontar os números do seu produto real, porque a proporção entre insumo importado e valor agregado local muda completamente qual opção sai na frente. Para os detalhes fiscais oficiais e as normas aduaneiras, a fonte primária é a DNIT, a autoridade tributária e aduaneira do Paraguai.

Cuidados e erros comuns antes de investir

O primeiro cuidado é não tratar a maquila como um atalho fiscal genérico. Ela é um regime de exportação com regras específicas, e usá-la para abastecer o mercado interno além do limite de vendas locais é caminho de problema. O segundo é a contabilidade: como o tributo exige apurar o valor agregado no país e compará-lo com a fatura de exportação, controles frouxos viram risco. O terceiro é a modelagem realista de produtividade e logística, porque a energia barata não compensa uma cadeia mal desenhada.

Também vale lembrar que quem vem morar e comandar a operação de perto entra no tema da residência pessoal: o trabalho de gestão feito no Paraguai é renda paraguaia e paga IRP, enquanto a renda que de fato nasce fora segue o princípio territorial, em princípio 0 % com residência fiscal efetiva. São duas decisões diferentes, a da empresa e a da pessoa, e misturá-las custa dinheiro. Se você quer aprofundar o lado do empreendedor, reunimos o essencial na página para empresários.

Levar uma indústria para o Paraguai é uma decisão de estrutura e de números, não de entusiasmo. Maquila, zona franca e empresa comum resolvem problemas distintos, e a escolha certa começa por entender de onde vem o seu valor agregado e para onde vai o seu produto. Quando a decisão estiver tomada e alguém da sua equipe for se mudar para tocar a operação, fale com a nossa equipe: acompanhamos residência e cédula, e as simulações de regime ficam com os assessores especializados.

Perguntas frequentes sobre maquila e zonas francas no Paraguai

Quanto é o imposto da maquila no Paraguai?

O regime de maquila prevê um tributo único de 1 %. A base é o valor agregado gerado dentro do Paraguai ou o valor da fatura de exportação, e vale o que for maior. Por isso o imposto nunca fica abaixo de 1 % do que se exporta, mesmo quando a operação agrega pouco valor local. Confirme sempre o cálculo do seu caso com um assessor local.

Qual a diferença entre maquila e zona franca no Paraguai?

A maquila é um regime vinculado a um contrato de industrialização com uma matriz no exterior e pode ser instalado na fábrica que fizer sentido. A zona franca é uma área física delimitada, com regime aduaneiro próprio, boa para logística, armazenagem e distribuição regional. A maquila cobra o tributo único de 1 % sobre a maior de suas duas bases; a zona franca cobra um imposto próprio sobre as exportações.

Quem pode usar o regime de maquila paraguaio?

Empresas industriais de transformação e montagem são o perfil clássico, mas o regime também admite a maquila de serviços, que cobre atividades como processamento de dados, software, engenharia e call center prestados ao exterior. O requisito central é exportar a produção sob contrato com uma matriz fora do país, com um programa aprovado pelo governo após o parecer técnico do CNIME.

A maquila serve para vender no mercado paraguaio?

Não como regra. A maquila é, por natureza, um regime de exportação. A lei permite vender no mercado paraguaio até 10 % do volume exportado no ano anterior, e essa fração sai do guarda-chuva do tributo único e passa a seguir a tributação comum, com IRE e IVA. Por isso quem quer abastecer o mercado interno costuma precisar de uma empresa comum, e não apenas de um programa de maquila.

Quanto custa a energia para a indústria no Paraguai?

O Paraguai é um grande produtor de energia hidrelétrica limpa e a tarifa industrial é considerada competitiva no comparativo regional, o que atrai operações eletrointensivas. Os valores exatos dependem do contrato de fornecimento, da demanda contratada e da norma vigente, então trate-os como uma vantagem estrutural a confirmar caso a caso, e não como um número único fixo.

Como aprovar um programa de maquila junto ao governo paraguaio?

O caminho geral é constituir uma empresa paraguaia com RUC, firmar o contrato de maquila com a matriz no exterior e apresentar o programa ao CNIME, com projeto técnico, previsão de insumos e volume de exportação. Com o informe técnico do conselho, os ministérios da Indústria e Comércio e da Economia e Finanças aprovam o programa por resolução biministerial, e a empresa pode importar insumos de forma temporária e operar sob o tributo único.

Preciso morar no Paraguai para ter uma maquila?

Não é obrigatório residir para ser sócio de uma empresa paraguaia, mas conduzir a operação de perto costuma pedir presença. Quem se muda entra também no tema da residência pessoal e do tratamento territorial da renda de fonte estrangeira, uma decisão separada da decisão da empresa. Avalie as duas frentes juntas para desenhar a estrutura mais limpa.

Vale a pena a maquila paraguaia para pequenas empresas?

Depende da escala e do fluxo de exportação. A maquila recompensa quem exporta com regularidade e consegue manter contabilidade e controle aduaneiro em ordem. Para volumes muito pequenos, o custo de montagem e de compliance pode não compensar frente a uma empresa comum. A conta muda produto a produto, então simule o seu caso real antes de decidir.

Aviso: Este artigo é informação geral e não constitui aconselhamento fiscal, jurídico ou de investimento. O marco legal no Paraguai e no seu país de origem pode mudar. Consulte um profissional para o seu caso.

Fontes oficiais: as informações desta página baseiam-se em fontes oficiais paraguaias. Como as regras mudam, confirme sempre os dados atuais diretamente em: DNIT e Dirección Nacional de Migraciones. Situação: setembro de 2026.

Retrato de Yannick Schroth, Fundador · Consultor de residência no Paraguai

Sobre o autor

Yannick Schroth

Fundador · Consultor de residência no Paraguai

Passa temporadas regulares no Paraguai e acompanha, junto com a equipe em Assunção, brasileiros e portugueses no caminho até a residência e a cédula.

Retrato de Camila Rodrigues, Especialista em emigração e relocação · Assunção

Com apoio local de

Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção

Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.

Tags:MaquilaIndústriaNegócios

Nota: este artigo reflete a situação no momento da publicação. Leis, preços e prazos podem mudar, e algumas informações podem estar desatualizadas. Para o seu caso, confirme o cenário atual ou fale com a gente.

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