O Paraguai vive uma combinação que não aparece todo ano: os preços estão caindo, o dólar recua frente ao guarani e, ainda assim, a economia cresce. A leitura mais recente do Banco Central, divulgada em 17 de agosto, confirma esse retrato e ainda revisa as projeções para baixo no câmbio e na inflação.
Dois meses seguidos de deflação
O dado que chama atenção é a deflação. Em julho, os preços recuaram 0,1%, o segundo mês seguido de queda. No acumulado de 2026 a inflação está em 1,8%, e na medida interanual em apenas 1,6%, bem abaixo da meta de 3,5% do Banco Central. O motivo principal foi a queda de bens duráveis importados, como carros e eletrônicos, puxada pelo guarani mais forte.
O dólar recua e as projeções acompanham
O câmbio conta a mesma história. O dólar já opera abaixo de ₲6.000, e fechou uma segunda-feira recente a ₲6.030. A pesquisa de expectativas do Banco Central passou a projetar ₲6.000 para agosto, ante ₲6.100 antes, e ₲6.150 para o fim de 2026, ante ₲6.300. Nos últimos tempos o guarani se valorizou mais de 20% frente ao dólar no mercado local, contra cerca de 10% de queda do dólar no mundo.
Preços baixos e crescimento em alta
O ponto que fecha o quadro é o crescimento. Na mesma leitura, a projeção do PIB para 2026 subiu levemente, para 4,3%, enquanto a estimativa de inflação de fim de ano caiu para 3,3%. É um arranjo benigno: um país que cresce, mantém preços sob controle e ainda vê a moeda se fortalecer. Esse pano de fundo conversa com a redução da pobreza dos últimos anos.
O que isso muda para quem pensa em morar aqui
Para quem recebe em dólar ou real, o recado tem dois lados. De um lado, inflação baixa e importados mais baratos ajudam o orçamento no dia a dia. De outro, o guarani mais forte significa que a sua moeda compra menos guaranis do que comprava há um ano, algo que vale recalcular com calma.
O jeito certo de fazer essa conta está nos guias sobre real, dólar e guarani e sobre o custo de vida no Paraguai. O Paraguai segue muito mais barato que São Paulo ou Lisboa, e a novidade aqui é a estabilidade, não uma mudança de regra. A renda de fonte estrangeira continua, em regra, isenta com residência efetiva.
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Fontes oficiais: Banco Central do Paraguai (Encuesta de Variables Económicas e IPC de julho); cobertura da imprensa econômica paraguaia (ABC Color, Última Hora, agosto de 2026). Situação: agosto de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Consultor de residência no Paraguai
Vive em Assunção e acompanha brasileiros e portugueses no caminho até a residência, a cédula e uma estrutura fiscal eficiente no Paraguai.
Com apoio local de
Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção
Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.




