O guarani, a moeda do Paraguai, valorizou cerca de 22% ante o dólar americano no último ano: pelos dados do DNIT, o dólar passou de G 7.784 em junho de 2025 para G 6.082 em junho de 2026. A alta da moeda aparece no relatório de arrecadação do DNIT (Dirección Nacional de Ingresos Tributarios) divulgado em 1º de julho de 2026, que aponta a valorização como causa direta da queda na receita do mês.
O que os números mostram
Em junho de 2026, a arrecadação total do DNIT somou cerca de G 2,98 trilhões (US$ 491,3 milhões), uma queda de 5,9% frente ao mesmo mês de 2025. O recuo se concentrou no comércio exterior: a arrecadação aduaneira caiu 18,2%, enquanto os impostos internos subiram 6,1%. No primeiro semestre, a arrecadação acumulada chegou a G 21,73 trilhões, alta de 1,8% na comparação anual.
O próprio DNIT explica o descompasso pelo câmbio. Com a valorização de 21,9% do guarani na comparação de junho com junho, a base tributável aduaneira expressa em guaranis caiu 20,9%, embora o valor importado medido em dólar tenha crescido 10%. Ou seja, o comércio seguiu crescendo, mas cada dólar importado passou a render menos guaranis de imposto.
Correção de 13 de setembro de 2026: a versão anterior dizia que a base tributável medida em dólar caiu 20,9%. O correto é que a queda de 20,9% vale para a base expressa em guaranis; em dólar, o valor tributável cresceu 10%.
Por que o guarani está mais forte
A valorização reflete uma combinação de fundamentos sólidos e entrada de divisas. O Paraguai manteve o grau de investimento, reservas internacionais robustas e inflação sob controle, enquanto o dólar perdeu força em boa parte dos mercados emergentes ao longo de 2026. Em uma economia pequena e aberta como a paraguaia, esse movimento se traduz rápido no câmbio do dia a dia.
O que isso significa para quem mora ou quer morar no Paraguai
Para quem recebe em dólar (ou em euro) e gasta em guaranis, a notícia tem dois lados. O lado prático pesa no bolso: o país ficou mais caro em dólar no último ano. Um valor local de 7,8 milhões de guaranis, que há um ano custava cerca de US$ 1.000, hoje sai por volta de US$ 1.280 ao câmbio atual. Na prática, o poder de compra de uma renda em dólar caiu perto de 22% em termos de custo de vida local.
Isso não muda a lógica de fundo do Paraguai, mas muda a conta. Ao planejar orçamento, aluguel e custo de vida, use o câmbio atual, não o de um ano atrás. Os números de referência em dólar do guia de custo de vida no Paraguai já consideram esse patamar, e quem ainda avalia a mudança encontra o cenário completo no guia para morar no Paraguai.
No lado tributário, nada muda no princípio territorial: a renda que nasce de fato no exterior segue, em princípio, isenta para quem mantém residência fiscal efetiva no Paraguai. O câmbio afeta o custo de vida, não a regra de tributação, como explicamos no guia sobre imposto no Paraguai.
Fontes
- Relatório de arrecadação do DNIT, 1º de julho de 2026: dnit.gov.py.
- Cobertura de imprensa econômica sobre o câmbio do guarani em 2026.
Aviso: Esta notícia é informação geral e não constitui aconselhamento financeiro, fiscal ou de investimento. Câmbio e custo de vida variam. Confirme o câmbio atual e a sua situação com um profissional.
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Fontes oficiais: as informações desta página baseiam-se em fontes oficiais paraguaias. Como as regras mudam, confirme sempre os dados atuais diretamente em: Banco Central del Paraguay e DNIT. Situação: julho de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Consultor de residência no Paraguai
Passa temporadas regulares no Paraguai e acompanha, junto com a equipe em Assunção, brasileiros e portugueses no caminho até a residência e a cédula.
Com apoio local de
Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção
Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.






