Ir para o conteúdo principal
Paraguai: inflação zero em agosto e comida 23% mais cara
Vida no Paraguai

Análise e contextualização da Paraguai Livre. Não é um artigo jornalístico independente; pode conter referências aos nossos próprios serviços.

Paraguai: inflação zero em agosto e comida 23% mais cara

O IPC do Paraguai não variou em agosto e a inflação anual caiu a 1,5%. Mas o índice de alimentos acumula alta de 23% desde 2023, e a carne bovina, 37%.

Yannick SchrothYannick Schroth
7 min de leitura

O Banco Central do Paraguai divulgou no início de setembro de 2026 o índice de preços ao consumidor de agosto: variação mensal de 0,0%, inflação interanual de 1,5% e 1,8% acumulados no ano. Em agosto de 2025, a taxa interanual estava em 4,6%, e o acumulado do ano, em 3,4%. O resultado fica bem abaixo da meta oficial de 3,5%.

O número da manchete, porém, não é o número que a família vê no caixa do supermercado. O próprio índice de alimentos do BCP saiu de 133,8 pontos em agosto de 2023 para 157 pontos em agosto de 2026, uma alta acumulada de 23% em três anos.

Como agosto chegou a zero

O mês fechou nesse patamar porque forças opostas se anularam. De um lado caíram carnes e verduras, com o Banco Central registrando maior disponibilidade para o mercado interno e recuo na maioria dos cortes bovinos. Bens duráveis importados também baixaram, efeito do guarani mais forte frente ao dólar.

Do outro lado subiram os combustíveis. Diesel comum e aditivado, gasolina comum e premium acompanharam a alta internacional do petróleo e o custo de reposição. Serviços seguiram a mesma direção, com 2,6% acumulados no ano e 3,5% na medida interanual, puxados por refeições fora de casa, hospedagem e pacotes turísticos.

Dois detalhes do relatório ajudam a ler o mês. Apenas 32,7% dos itens da cesta subiram de preço em agosto, contra uma média histórica de 44,8%. E a inflação núcleo, que exclui os componentes mais voláteis, também ficou em 0% no mês e em 1,3% no interanual.

Os alimentos contam outra história

O recorte de três anos muda o quadro. Desde agosto de 2023, o índice de alimentos avançou 23%. Na comparação com agosto de 2020, a alta acumulada chega a 56%.

A carne bovina é o item que mais pesa nessa conta: cerca de 37% desde agosto de 2023 e 72,3% desde agosto de 2020. Verduras frescas subiram 28% em três anos, e frutas frescas, 23,5%.

Cabe um contraponto, para que o número de três anos não seja lido como a tendência de agora. Em agosto, o conjunto formado por carne bovina, aves, suíno e miúdos caiu de preço e acumula variação interanual de apenas 0,1%, contra 10% em agosto de 2025. A escalada foi construída sobretudo em 2023 e 2024, e o último ano foi de estabilidade nessa prateleira.

O economista Víctor Raúl Benítez observa que a preocupação das famílias não está apenas no comportamento dos preços, e sim na relação entre eles e a renda. Quando o custo do básico corre mais rápido que a capacidade de ganho, a pressão sobre o orçamento aumenta e o endividamento doméstico tende a crescer.

Por que a carne subiu tanto

Gado bovino em campo no Chaco paraguaio, origem da carne que puxa os preços no Paraguai
Gado bovino em campo no Chaco paraguaio, origem da carne que puxa os preços no Paraguai

A explicação está no mercado externo. Em agosto, o preço médio de exportação da carne paraguaia chegou a US$ 7.410 por tonelada, o maior valor registrado em 2026. Até julho, a média era de US$ 6.915 por tonelada, contra US$ 5.727 no mesmo trecho de 2025.

Marco Panciotto, presidente da associação de produtores e exportadores de carne, a APPEC, descreve uma demanda internacional sólida pelo produto paraguaio. O ritmo de abate acompanhou esses preços e o estoque bovino encolheu. Os produtores entraram em fase de recomposição do rebanho, retendo matrizes, o que aperta ainda mais a oferta que sobra para o mercado interno.

Gustavo Lezcano, presidente da Capasu, a câmara de supermercados, deu a dimensão do efeito na prateleira em declaração de 15 de agosto. Segundo ele, a carne subiu entre 25% e quase 30% em três anos, responde por cerca de 20% das vendas do setor e por quase metade do consumo das famílias paraguaias. No mesmo período, os importados subiram menos de 5%, justamente por causa do dólar mais barato.

O aviso para o resto de 2026

A trégua nos preços pode não durar o ano inteiro. Um relatório do JP Morgan sobre o Paraguai, datado de 2 de setembro de 2026, projeta que a inflação volte a acelerar a partir de setembro, por efeitos estatísticos de base de comparação, por preços mais altos de bens transacionáveis e por uma eventual pressão de alimentos associada ao El Niño.

A estimativa do banco para o fechamento de 2026 é de 3,3% na medida interanual, ainda ligeiramente abaixo da meta de 3,5% do Banco Central. O mesmo 3,3% aparece nas expectativas de mercado que o BCP coleta junto a agentes econômicos.

O que o preço da comida muda no orçamento de quem chega

Vale separar dois números que a conversa costuma embaralhar. A inflação de 1,5% ao ano descreve a cesta inteira, com aluguel, transporte, serviços e eletrônicos dentro dela. O que subiu forte foi uma fatia específica, e é justamente a fatia que se compra toda semana.

Para quem vem de fora existe um segundo efeito, que o índice medido em guaranis não mostra. O guarani se valorizou 19,4% frente ao dólar na comparação com agosto de 2025, segundo o cálculo do DNIT. Ou seja, a mesma nota de dólar compra menos guaranis do que comprava há um ano, e um preço estável em moeda local fica mais caro quando convertido para dólar ou real.

Nada disso derruba a conta do custo de vida no Paraguai, que segue bem abaixo de São Paulo ou Lisboa. Muda a margem com que ela deve ser feita. As faixas de referência de $1.200 a $1.600 por mês em Assunção continuam de pé, e o item a revisar dentro delas é o supermercado, não o aluguel.

Na prática, o orçamento de quem chega hoje carrega um componente caro e um barato ao mesmo tempo. Proteína animal está no topo da lista de altas dos últimos três anos, enquanto eletrônicos, eletrodomésticos e outros importados ficaram relativamente baratos com o câmbio atual. Vale montar a planilha com esses dois pesos separados, usando os valores do guia de custo de vida no Paraguai e a lógica de conversão do guia de real, dólar e guarani.

Do lado tributário, nada aqui se move. O princípio territorial da Ley 6380/2019 mantém a renda de fonte estrangeira fora da base de quem tem residência fiscal efetiva, assunto destrinchado no guia sobre imposto no Paraguai. Preço de comida e alíquota são contas separadas, e o câmbio forte já aparecia nos dados de inflação e dólar de julho.

Perguntas frequentes sobre os preços no Paraguai

A inflação no Paraguai está baixa em 2026?

Está. Agosto fechou com variação mensal de 0%, interanual de 1,5% e 1,8% acumulados no ano, contra 3,4% no mesmo trecho de 2025. O resultado ficou abaixo da meta de 3,5% do Banco Central, e a projeção para o fim do ano é de 3,3%.

Por que a comida sobe mais do que a inflação geral no Paraguai?

O item de maior peso na cesta de alimentos é a carne bovina, e o preço dela é puxado pela exportação. Preço internacional em alta, rebanho em recomposição e demanda externa firme deixam menos oferta para o mercado interno, o que sustenta o preço na prateleira.

Morar no Paraguai ficou mais caro em 2026?

Em guaranis, a cesta geral quase não se moveu no ano, e os importados ficaram mais baratos. Para quem recebe em dólar ou em real, o guarani mais forte encarece tudo medido em moeda estrangeira, e o supermercado é onde isso aparece primeiro.

Fontes

Aviso: Esta notícia é informação geral e não constitui aconselhamento financeiro, fiscal ou de investimento. Preços, câmbio e índices mudam mês a mês. Confirme os dados atuais antes de montar o seu orçamento e consulte um profissional para o seu caso.

Quer dimensionar o custo real da mudança? No primeiro atendimento gratuito, olhamos perfil, cidade e orçamento mensal com os números de hoje. Fale com a gente.

Fontes oficiais: os índices citados vêm do Banco Central do Paraguai e da imprensa econômica paraguaia. Como os dados são revisados mensalmente, confirme a série atual em: Banco Central do Paraguai e Instituto Nacional de Estadística. Situação: setembro de 2026.

Retrato de Yannick Schroth, Fundador · Consultor de residência no Paraguai

Sobre o autor

Yannick Schroth

Fundador · Consultor de residência no Paraguai

Vive em Assunção e acompanha brasileiros e portugueses no caminho até a residência, a cédula e uma estrutura fiscal eficiente no Paraguai.

Retrato de Camila Rodrigues, Especialista em emigração e relocação · Assunção

Com apoio local de

Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção

Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.

Tags:AtualEconomiaCusto de vida

Outros artigos

Ficou interessado?

Agende agora a sua conversa inicial gratuita e descubra como podemos ajudar.

Agendar conversa inicial gratuita