Poucas horas depois da confirmação do resultado no Brasil, o presidente paraguaio Santiago Peña já havia publicado sua mensagem a Lula. A reeleição, decidida no segundo turno de 25 de outubro, foi lida em Assunção sobretudo como questão de agenda bilateral: o que continua, o que está em aberto e o que pode mudar para quem investe ou mora no Paraguai.
Este texto reúne o que a imprensa paraguaia publicou entre 25 e 27 de outubro e o que os nossos próprios dados permitem dizer. Não avaliamos candidatos nem partidos; o foco é o efeito prático para quem vive ou pensa em viver do lado paraguaio da fronteira.
O que Peña disse a Lula
Segundo Infobae/EFE, Última Hora, El Nacional e Revista Plus, Peña felicitou Lula nas redes sociais e falou de uma agenda comum de integração e desenvolvimento entre os dois países. Prometeu continuar "trabajando juntos", ou seja, trabalhando juntos, nas palavras reproduzidas pela imprensa.
O tom foi institucional e de continuidade. Itaipu não aparece na mensagem de Peña, segundo as reportagens consultadas, embora o tema domine a pauta bilateral nos comentários dos jornais.
Itaipu e a revisão do Anexo C
O assunto que a imprensa paraguaia mais associa ao governo brasileiro é o Anexo C do tratado de Itaipu. Ele trata das bases financeiras e da prestação dos serviços de eletricidade da Itaipu Binacional: como se calculam os custos, as tarifas e a remuneração da energia cedida de um país ao outro.
Para o Paraguai, a revisão pesa por dois motivos. O primeiro é a receita: as condições do Anexo C influenciam quanto o país recebe pela energia que não consome. O segundo é industrial, porque define quanta energia o Paraguai poderia usar em seu próprio território, em fábricas e em projetos de transformação.
El Nacional lembra, em análise publicada em 26 de outubro, que a continuidade política pode facilitar o diálogo com Peña, mas não garante um resultado favorável ao Paraguai na negociação. A discussão segue técnica e depende de acordo entre os dois governos.
Mercosul-União Europeia e integração
A imprensa paraguaia cita também o acordo entre o Mercosul e a União Europeia como item da agenda comum. El Nacional o descreve como oportunidade para ampliar mercados, atrair investimentos e diversificar exportações, e o andamento depende dos sócios do bloco, não só de Brasília e Assunção.
Em editorial de 27 de outubro, o jornal La Nación resumiu a posição com uma frase: a agenda política do Brasil "tem sua importância para o nosso país". A razão é simples: o Brasil é vizinho, parceiro de Itaipu e um dos principais mercados e fornecedores do Paraguai.
Mais capital e mais brasileiros? A leitura de El Nacional
Na análise de 26 de outubro, El Nacional sugere que a reeleição pode trazer mais capital brasileiro, em fábricas, logística e imóveis, e um fluxo maior de brasileiros de classe média alta, empresários e profissionais qualificados. As cidades citadas são Assunção, Ciudad del Este e Hernandarias.
O próprio texto traz a ressalva: a reeleição, sozinha, não garante aumento da migração. Pesam a economia, a segurança jurídica e a infraestrutura. O jornal também alerta para a pressão sobre o custo de moradia na região de fronteira, caso o interesse cresça. É uma hipótese de analista, sem números, e não um fato medido.
O que os dados de residência já mostravam antes da eleição
A procura por residência no Paraguai estava em alta bem antes do segundo turno. Entre janeiro e setembro de 2026, a Migraciones recebeu 49.538 pedidos, alta de 47,5% sobre o mesmo período de 2025, e os brasileiros responderam por 59% dos pedidos no primeiro semestre. Os detalhes estão na nossa notícia sobre os pedidos de residência de janeiro a setembro.
Esses números são anteriores ao resultado e não permitem concluir que a eleição tenha causado ou vá causar qualquer mudança. Só os dados de outubro em diante, quando forem publicados, mostrarão se algo se move, e mesmo assim muitos fatores influenciam a decisão de mudar de país.
O que isso significa para quem avalia o Paraguai
Na prática, três pontos valem para quem está considerando a mudança:
- As regras de residência não mudaram. A residência temporária pelo Acordo de Residência do Mercosul, de 2 anos e depois permanente, segue como o caminho mais comum, como mostra o guia de residência no Paraguai para brasileiros.
- Acompanhe o preço da moradia. Se a hipótese de El Nacional se confirmar, o efeito apareceria primeiro em aluguéis perto da fronteira e em Assunção. Compare bairros e valores antes de fechar contrato, com a ajuda do texto onde os brasileiros moram no Paraguai.
- Planeje o orçamento com folga. Em Assunção, uma vida confortável custa em geral entre $1.200 e $1.600 por pessoa por mês, e uma vida mais sóbria fica perto de $900. O detalhamento está em quanto custa se mudar para o Paraguai.
Questões do lado brasileiro, como a situação tributária de quem deixa o país, cabem a um contador no Brasil.
Aviso: Esta notícia é informação geral, com dados verificados até 27 de outubro de 2026, e não constitui aconselhamento jurídico, financeiro ou político. As opiniões citadas são da imprensa paraguaia, e as projeções são hipóteses, não fatos medidos. Regras de residência podem mudar; confirme sempre com a Dirección Nacional de Migraciones ou com um profissional.
Fontes:
- Infobae/EFE, 26 de outubro de 2026 (imprensa): felicitação de Peña e promessa de seguir trabalhando juntos.
- Última Hora (imprensa): mensagem de Peña a Lula.
- Revista Plus, 26 de outubro de 2026 (imprensa): integração com o Brasil.
- El Nacional, 26 de outubro de 2026 (análise): capital, migração, Anexo C e Mercosul.
- La Nación, editorial de 27 de outubro de 2026 (imprensa): importância da agenda do Brasil para o Paraguai.
- TRE-SP, resultado do 2º turno (oficial): confirmação da reeleição.
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Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Acompanhamento de residência no Paraguai
Passa temporadas regulares no Paraguai e acompanha, junto com a equipe em Assunção, brasileiros no caminho até a residência e a cédula.






