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Cheias no Paraguai: Ayolas, Ciudad del Este e Assunção

Foto: Cesar I. Martins from Jundiai, Brazil, “Vertedouro - Itaipu - Foz do Iguacu - Brasil (23650938123)”, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons (adaptada: recortada em 16:9)

Vida no Paraguai

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Cheias no Paraguai: Ayolas, Ciudad del Este e Assunção

O Paraná passou de 121 m em Ciudad del Este, Ayolas tem 3.144 evacuados e o rio Paraguai subiu 2 m em Assunção. O que dizem Itaipu, SEN e prefeituras.

Yannick SchrothYannick Schroth
8 min de leitura
Informação geral. Este texto tem finalidade informativa e reflete a situação na data indicada. Não é aconselhamento jurídico, tributário ou migratório e não substitui a análise do seu caso; requisitos e prazos podem mudar, e a análise formal do pedido cabe à Migraciones e à nossa advogada parceira paraguaia.

A cheia do rio Paraná já tirou de casa mais de 3.000 pessoas em Ayolas e cerca de 1.300 famílias seguem afetadas em Ciudad del Este, enquanto o rio Paraguai subiu mais de dois metros em duas semanas diante de Assunção. Na fronteira com Foz do Iguaçu, o Paraná passou da cota de 121 metros na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, segundo a Itaipu Binacional.

As chuvas deram uma trégua no fim de semana, e a Itaipu previa uma leve descida do rio a partir de sábado, 17 de outubro. A própria empresa e os coordenadores de emergência em Ciudad del Este, porém, avisam que há nova chuva forte prevista para a metade desta semana.

Cheias do Paraná: o que a Itaipu informou

Em nota de 14 de outubro, a Comissão Especial de Cheias da Itaipu informou que o nível do Paraná ultrapassou 121 metros acima do nível do mar, medidos na estação da Ponte da Amizade. Na nota paraguaia de 16 de outubro, a cota estava em 121,24 metros na quinta-feira, 15, depois de passar dos 121 metros na véspera.

A causa, segundo a empresa, foi chuva acima do previsto na bacia incremental, no próprio reservatório e na bacia do rio Iguaçu. A Itaipu controla a vazão que sai da barragem, mas não as águas do Iguaçu, que deságua no Paraná abaixo da usina. Quando o Iguaçu chega muito cheio, o Paraná escoa pior no encontro dos dois rios. A empresa chama isso de "efeito de remanso".

O vertedouro foi usado durante toda a semana. Na terça-feira, 13, a Itaipu abriu a calha central, e na quinta-feira, 15, a vazão vertida chegou a 12.600 metros cúbicos por segundo pelas calhas esquerda e central. Em nota do dia 13, a empresa sustenta que a abertura de uma calha, por si só, não agrava os alagamentos; o que pesa é o volume total vertido.

O coordenador da comissão, o engenheiro Paulo Zanelli Jr., lembrou que a região já enfrentou cheias maiores: "As maiores cheias históricas registradas na região ocorreram em 1992, 1983 e 2014, nesta ordem." Sobre a semana que vem, foi cauteloso: "Esperamos que as chuvas cessem, mas também precisamos estar preparados para qualquer situação."

Ayolas: o ponto mais crítico da cheia do Paraná

Rio abaixo, depois da represa de Yacyretá, a situação é mais grave. Segundo o Centro de Operações de Emergência (COE) de Ayolas, no departamento de Misiones, 3.144 pessoas de 1.012 famílias tinham sido evacuadas até 17 de outubro. O COE abriu 17 abrigos temporários, que recebiam 746 pessoas; as outras 2.398 foram para casas de parentes ou imóveis alugados.

O boletim da Entidade Binacional Yacyretá (EBY) registrava 6,45 metros no porto local, com previsão de 6,50 metros no domingo. Para comparar: a cota normal ali é de 1,80 metro, o alerta começa em 4,20 metros e a inundação, a partir de 4,50 metros. Na manhã de domingo, 18, o COE municipal informou 6,46 metros, segundo o Última Hora.

O secretário de Emergência Nacional, Arsenio Zárate, disse em 16 de outubro que mais de 1.000 famílias estavam afetadas pelas cheias no país, o que representa no mínimo 5.000 pessoas. Ele citou Ayolas, Cerrito, Ciudad del Este, Hernandarias, Presidente Franco e Yguazú como as localidades de maior impacto, além de danos em Curuguaty e Nueva Germania.

Ciudad del Este: famílias fora de casa e nova chuva no radar

Em Ciudad del Este, os bairros mais atingidos pela cheia são San Rafael e San Agustín, na beira do Paraná. Segundo a Itaipu, mais de 600 pessoas tinham sido levadas para locais seguros até 16 de outubro, numa operação com a Secretaria de Emergência Nacional (SEN), as Forças Armadas e a Armada.

O problema não ficou só na margem do rio. Segundo o Última Hora, o transbordamento dos arroios Amambay e Acaraymí alagou também áreas baixas longe da ribeira, e o levantamento somava cerca de 1.300 famílias afetadas em 17 de outubro. A ANDE chegou a cortar a luz de forma preventiva para que bombeiros e militares trabalhassem com segurança no arroio Acaraymí, segundo a SEN.

Derlis Gauto, representante da Itaipu no Centro de Operações de Emergência, resumiu o cenário: descida gradual das águas até terça-feira e, "a partir de quarta, se preveem fortes chuvas de novo". Por isso ele pediu que as famílias não voltem às pressas para casa. Do lado brasileiro, segundo a Defesa Civil citada pela Itaipu, a água chegou a casas da Vila Bancária, em Foz do Iguaçu, onde cinco famílias precisaram sair.

Itapúa: cheias suspendem as travessias fluviais para a Argentina

Costanera de Encarnación e a ponte San Roque González sobre o rio Paraná, única travessia de Itapúa para a Argentina durante as cheias
Costanera de Encarnación e a ponte San Roque González sobre o rio Paraná, única travessia de Itapúa para a Argentina durante as cheias

Foto: Falk2, “J30 887 Puente Internacional »San Roque González de Santa Cruz«”, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adaptada: redimensionada)

Em Itapúa, a cheia fechou os oito portos fluviais de passagem internacional para a província argentina de Misiones, em acordo entre os dois países. A medida vale para as três balsas (Bella Vista, Mayor Otaño e Natalio) e para as lanchas de passageiros. Segundo o comandante da Área Naval de Itapúa, capitão Livio Duarte, o fechamento pode durar ao menos dez dias a partir de 13 de outubro.

Enquanto isso, a travessia para a Argentina pelo departamento só é possível pela ponte San Roque González, entre Encarnación e Posadas. Barcaças e rebocadores de carga continuam operando. Segundo dados da Dirección Nacional de Migraciones citados pelo ABC Color, esses portos somaram 137.931 passagens em 2025, cerca de 554 por dia.

A balsa de Bella Vista, que transporta de 100 a 150 veículos por dia, atende sobretudo brasileiros e descendentes da região, segundo o proprietário, Hernán Morel. Ele estima que a reforma do porto de embarque leve mais um mês depois que o rio baixar.

Assunção: rio Paraguai sobe e a capital entra em alerta

A cheia não é só do Paraná. Na estação da baía de Assunção, a Dirección de Meteorología e Hidrología mediu o rio Paraguai em 2,56 metros em 16 de outubro, contra cerca de 0,49 metro no dia 2. A Municipalidad de Asunción declarou emergência e está em alerta amarelo.

Segundo o diretor de riscos da prefeitura, José Jara, as famílias começam a ser atingidas a partir de 3,5 metros. A estimativa da prefeitura é de cerca de 3.300 famílias em risco em zonas baixas como o Bañado Tacumbú, Primavera e Santa Ana. A Junta Municipal liberou G. 7.000 milhões para mudanças e moradias temporárias e G. 5.500 milhões para reparar pontes e muros.

O fenômeno El Niño é apontado pelas autoridades como pano de fundo das chuvas. O ministro Zárate admitiu que "Assunção já é preocupante" para a SEN e não descartou abrir abrigos conforme a necessidade.

O que a cheia muda para quem mora ou pensa em morar no Paraguai

Para quem já vive em Ciudad del Este, a fonte que a Itaipu indica como o único canal oficial sobre o nível do rio é o Boletim Hidrológico diário, divulgado nos sites da empresa. Os avisos da cheia estão reunidos na página especial Cheia no Rio Paraná. Em San Rafael e San Agustín, a empresa marcou cotas de referência em pontos dos bairros, para que os moradores comparem o terreno com o boletim e se preparem antes de a água chegar.

Quem atravessa de Itapúa para a Argentina deve contar com a ponte San Roque González enquanto os portos estiverem fechados. O retrato da cidade e da fronteira sul está no guia sobre morar em Encarnación, e o lado leste no guia morar em Ciudad del Este.

Para quem procura imóvel, a semana deixa uma lição prática: as áreas atingidas foram, em geral, zonas baixas perto dos rios e arroios. Perguntar ao proprietário se o imóvel já alagou e olhar a cota do terreno vale tanto quanto comparar o preço. O passo a passo da locação está no guia sobre alugar apartamento no Paraguai, e o padrão das estações, no guia do clima do Paraguai.

Perguntas frequentes sobre as cheias no Paraguai

Por que a cheia do rio Paraná subiu tanto em Ciudad del Este?

Segundo a Itaipu, choveu acima do previsto na bacia incremental, no reservatório e na bacia do rio Iguaçu. Como o Iguaçu chega muito cheio ao Paraná logo abaixo da usina, o Paraná escoa pior nesse trecho e sobe, o chamado efeito de remanso. A Itaipu controla a vazão da barragem, mas não a do Iguaçu.

Ainda dá para atravessar de Itapúa para a Argentina durante as cheias?

Sim, pela ponte San Roque González, entre Encarnación e Posadas. As balsas e lanchas dos oito portos fluviais internacionais de Itapúa estão suspensas desde 13 de outubro, por ao menos dez dias segundo a Área Naval de Itapúa.

A cheia do rio Paraguai já chegou às casas em Assunção?

Em 15 de outubro, segundo a prefeitura, ainda não havia famílias assistidas na capital. No dia seguinte o rio estava em 2,56 metros, e a prefeitura calcula que as famílias das zonas baixas começam a ser atingidas a partir de 3,5 metros. A cidade está em alerta amarelo, com emergência declarada.

Fontes

Aviso: Esta notícia é informação geral sobre uma situação em andamento, com dados até 18 de outubro de 2026. Níveis de rio, evacuações e travessias mudam de um dia para o outro. Em caso de risco, siga as orientações da Secretaría de Emergencia Nacional, do COE do seu município e da Defesa Civil.

Vai se mudar para o Paraguai e quer escolher bem a cidade? Na conversa gratuita explicamos como acompanhamos a residência e a cédula em Assunção. Fale com a gente.

Retrato de Yannick Schroth, Fundador · Acompanhamento de residência no Paraguai

Sobre o autor

Yannick Schroth

Fundador · Acompanhamento de residência no Paraguai

Passa temporadas regulares no Paraguai e acompanha, junto com a equipe em Assunção, brasileiros no caminho até a residência e a cédula.

Tags:AtualClimaFronteira

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