A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, a Cepal, divulgou em 20 de agosto o seu Estudio Económico de 2026, e o Paraguai aparece bem perto do topo. Entre os países da América do Sul, só a Venezuela deve crescer mais neste ano. Para quem acompanha o país como possível base, é mais um sinal de estabilidade do que uma manchete de ocasião.
Os números do relatório
A Cepal projeta o Paraguai crescendo 4,3% em 2026, contra uma média de 2,5% para a América do Sul. É uma diferença de 1,8 ponto percentual acima dos vizinhos, e coloca o país em segundo lugar na região, atrás apenas da Venezuela, estimada em 6,5%.
Na comparação direta, o Paraguai supera economias bem maiores. A Argentina foi projetada em 3,3%, o Peru em 3,2%, a Colômbia em 2,6%, o Brasil em 2,2%, o Chile em 1,6%, o Uruguai em 1,5% e a Bolívia em apenas 0,5%. Para 2027, a Cepal mantém o país acima da média regional, com 4% de expansão.
Um dado, duas leituras
Vale um pouco de contexto para não ler o número solto. O próprio Banco Central do Paraguai trabalha com uma projeção um pouco mais alta, de 4,5% para 2026, revisada para cima em agosto. As duas estimativas apontam na mesma direção, e a pequena diferença é o normal entre instituições que usam modelos distintos.
O que sustenta esse fôlego não é um setor só. O campo em bom momento, a construção, a geração de energia e o movimento comercial puxaram a atividade, que cresceu 5,6% em junho na comparação anual. É um crescimento de base ampla, não refém de uma única commodity.
Por que isso pesa para quem pensa em morar aqui
Crescimento alto e constante não é um número abstrato. Ele costuma vir junto de moeda estável, contas públicas em ordem e um ambiente mais previsível para quem chega de fora. Não por acaso, o guarani se valorizou frente ao dólar em 2026, tema que tratamos no dólar abaixo de 6.000 guaranis.
Para o brasileiro ou o português que avalia uma segunda base, esse pano de fundo importa tanto quanto a carga tributária. Ele reduz o risco de quem transfere a vida, não apenas o patrimônio. O quadro completo está no guia sobre a economia do Paraguai e no custo de vida no Paraguai.
O que o ranking não promete
Fica o lembrete de sempre. Um bom ritmo de crescimento não apaga o fato de que o Paraguai ainda parte de uma renda por habitante baixa, com informalidade alta no mercado de trabalho. Projeção também não é garantia: é uma estimativa que depende de safra, câmbio e do cenário externo.
E, no plano fiscal, nada disso liga sozinho o benefício. O princípio territorial de 0% sobre a renda de fonte estrangeira, previsto na Ley 6380/2019, depende da sua residência fiscal efetiva e das regras do seu país de origem. Antes de decidir, vale entender como morar no Paraguai e, se fizer sentido, como investir aqui.
Fontes
- Cepal, Estudio Económico de América Latina y el Caribe (20 de agosto de 2026): projeção de 4,3% para o Paraguai em 2026 e 4% em 2027, segundo maior crescimento da América do Sul.
- El Trueno e Revista PLUS (agosto de 2026): ranking regional e comparação com os demais países.
- Banco Central do Paraguai (agosto de 2026): projeção própria de 4,5% e atividade econômica de junho.
Fontes oficiais: os dados macroeconômicos podem ser confirmados no Banco Central do Paraguai e no Ministério da Economia e Finanças. Situação: agosto de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Consultor de residência no Paraguai
Vive em Assunção e acompanha brasileiros e portugueses no caminho até a residência, a cédula e uma estrutura fiscal eficiente no Paraguai.
Com apoio local de
Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção
Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.




