O campo voltou a ser o motor da economia paraguaia. No primeiro semestre de 2026, as exportações de soja do Paraguai cresceram 50,9% em valor, saltando de US$ 1.506 milhões para US$ 2.273 milhões, segundo dados do Banco Central. Foi uma campanha histórica, e o efeito já aparece nas contas nacionais.
A safra que puxou a economia paraguaia
Os números de volume acompanham o salto de receita. Até junho, o país embarcou 5.894.301 toneladas de soja em grão, contra 4.106.112 toneladas no mesmo período de 2025, um acréscimo de quase 1,8 milhão de toneladas em um ano. Somando óleo e farelo, o complexo da soja gerou cerca de US$ 2.978 milhões no semestre, ante US$ 2.093 milhões um ano antes.
O peso disso na macroeconomia é direto. Ao apresentar seu relatório de política monetária em meados de julho, o Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 4,2% para 4,5%, com a estimativa para a agricultura subindo de 3,2% para 4,7%. A soja é a principal responsável por essa revisão. Detalhamos o quadro macro na análise sobre a nova projeção do Banco Central.
Argentina e Brasil como principais destinos da soja
O destino do grão explica muito da lógica regional. A Argentina concentrou cerca de 86% das exportações de soja em grão, puxada pela sua indústria de esmagamento, seguida pelo Brasil, com aproximadamente 9%. O Paraguai é o quarto maior exportador de soja do mundo, mesmo sem litoral, escoando a produção pela hidrovia dos rios Paraguai e Paraná.
A soja não veio sozinha. O trigo também registrou forte crescimento no semestre, e a expectativa do setor é que o milho assuma o protagonismo na segunda metade do ano. Para o agro paraguaio, 2026 se desenha como um ano de safra cheia, com clima favorável depois de temporadas mais irregulares.
O que o agro forte diz a quem pensa em se mudar
Para o público brasileiro, sobretudo produtores e investidores do agro, esse pano de fundo não é abstrato. A terra no Paraguai ainda custa uma fração do preço praticado no Centro-Oeste brasileiro. É o que atrai há décadas os brasiguaios, tema que aprofundo no guia sobre agronegócio no Paraguai para brasileiros.
Uma economia que cresce puxada pelo campo também sustenta o resto: moeda firme, contas públicas em ordem e um ambiente estável para quem quer uma segunda base. Quem pensa em comprar terra deve entender as regras locais antes, e reuni o essencial no texto sobre comprar terra e fazenda no Paraguai.
Força econômica não é isenção automática de imposto
Vale o alerta de sempre, porque aqui muita gente se confunde. O Paraguai aplica o princípio da territorialidade, que isenta a renda de fonte estrangeira quando você tem residência fiscal efetiva no país. Mas renda gerada dentro do Paraguai, como a produção e a venda de soja em território paraguaio, é renda de fonte local. Ela é tributada pelas regras normais do país, com o imposto à renda empresarial (IRE) de 10% e os tributos do agro, não pelo 0% que vale para a renda que nasce fora.
Ou seja: a atividade agrícola dentro do Paraguai é tributada no país, não isenta. Confundir os dois lados é o erro mais comum, e ele custa caro na hora de estruturar. Para entender como a tributação afeta o brasileiro residente, veja os impostos para brasileiros que moram no Paraguai.
Pensa em usar o Paraguai como base para o agro ou para investir? Fale com a gente para uma primeira conversa sobre residência e cédula. A tributação da atividade agrícola fica com o nosso contador paraguaio.
Fontes oficiais: Banco Central do Paraguay (BCP, relatório de política monetária de julho de 2026); dados de comércio exterior do BCP; União de Gremios de la Producción (UGP). Situação: julho de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Acompanhamento de residência no Paraguai
Passa temporadas regulares no Paraguai e acompanha, junto com a equipe em Assunção, brasileiros no caminho até a residência e a cédula.




