Se você é brasileiro, a primeira boa notícia sobre morar no Paraguai chega antes de qualquer papelada: você não precisa de visto. Basta o documento de identidade para entrar, e o acordo de residência do Mercosul dá a você um caminho facilitado para regularizar a vida no país, algo que cidadãos de dezenas de outros países não têm. Isso não significa que o processo é automático, mas significa que o ponto de partida do brasileiro é, de longe, o mais confortável entre os estrangeiros que chegam ao Paraguai.
Este guia trata especificamente do caminho do brasileiro, do Mercosul à cédula na carteira, com os documentos que o cartório brasileiro precisa emitir, a ordem certa dos passos e um recado honesto sobre prazos e viagens.
Para o lado tributário de sair do Brasil, veja também impostos para brasileiros que moram no Paraguai.
Por que o brasileiro entra e circula sem visto no Paraguai
O Paraguai e o Brasil são sócios fundadores do Mercosul, e um dos pilares do bloco é a livre circulação de pessoas entre os países-membros. Na prática, você entra no Paraguai apresentando a carteira de identidade ou o passaporte, sem pedir visto antes da viagem e sem enfrentar entrevista consular. É a mesma lógica que já vale para argentinos e uruguaios.
Essa facilidade de entrada é diferente de residência. Entrar sem visto permite turismo e estadia curta, mas não autoriza morar ou trabalhar de forma permanente. Para isso existe o Acordo de Residência do Mercosul, tratado entre os países do bloco que simplifica o pedido de residência para os seus cidadãos, com um conjunto de documentos mais enxuto do que o exigido de nacionalidades fora do bloco.
A residência temporária concedida por essa via vale dois anos e, segundo a Migraciones, não é prorrogável: o passo seguinte é a permanente, com pedido próprio a partir do 21º mês e antes de os dois anos vencerem.
Isso não elimina a papelada, só a torna mais direta. Você ainda reúne documentos de origem e apostila, ainda protocola o pedido na Migraciones e passa pelas mesmas etapas de análise que qualquer solicitante. Muda a categoria migratória, pensada para cidadãos do bloco, e a redução de alguns requisitos consulares prévios. As regras específicas, os documentos aceitos e os prazos vigentes mudam de tempos em tempos, então a fonte final é sempre a Dirección Nacional de Migraciones. Confirme os requisitos atualizados antes de reunir a documentação.
Se o seu interesse é entender por que tanta gente do Brasil está olhando para o Paraguai agora, os motivos concretos estão em por que brasileiros estão se mudando para o Paraguai.

Documentos que o brasileiro precisa reunir no Brasil
Tudo começa no cartório brasileiro, bem antes da passagem aérea. O núcleo do pedido é a certidão de nascimento (ou de casamento, se for o caso) e a certidão de antecedentes criminais, ambas recentes e em nome exatamente igual ao do passaporte. Para os antecedentes, a certidão nacional da Polícia Federal é a opção mais segura, porque cobre todos os estados.
Depois de emitidos, esses documentos precisam ser apostilados em cartório brasileiro autorizado, conforme a Convenção de Haia. Tradução juramentada, por outro lado, não entra: a Migraciones dispensa de tradução os documentos em português emitidos pelo Brasil, e a lista da cédula faz o mesmo. Pular a apostila, ou apostilar a cópia errada, é o erro mais comum entre brasileiros. Fique atento também à validade da certidão de antecedentes, que costuma ser curta: tirar cedo demais faz o documento vencer antes de você protocolar.
Some a isso o passaporte válido, fotos no padrão exigido e o formulário de radicación. A partir dos 14 anos, cada pessoa tira ainda no Paraguai o informe da Interpol e o certificado de antecedentes para estrangeiros da Policía Nacional. Com cônjuge ou filhos, a certidão de casamento e as certidões dos dependentes seguem o mesmo processo de apostila.
E se um filho nascer já no Paraguai, ele é paraguaio de nascimento, o que muda menos para os pais do que muita gente imagina, como explico em quem nasce no Paraguai é o quê. Para o detalhamento completo, veja documentos e apostila para o Paraguai.
Já reuniu os documentos e quer confirmar se está tudo certo antes de viajar? Agende uma conversa e revisamos a sua lista com base nas regras vigentes.
Passo a passo até a cédula paraguaia para brasileiros
A sequência abaixo segue a lógica que funciona na prática para quem entra pelo Mercosul, do cartório no Brasil até o documento pessoal em mãos.
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Emita e apostile a certidão de nascimento e a de antecedentes criminais no Brasil. Confira a validade e o nome exatamente como consta no passaporte. Esse passo acontece antes de qualquer viagem.
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Deixe a tradução juramentada de fora. As certidões brasileiras em português seguem assim para a Migraciones e para a cédula. Só um documento emitido fora do Brasil, como antecedentes de outro país onde você morou, segue as regras gerais de tradução.
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Viaje ao Paraguai usando o documento de identidade ou passaporte, sem visto. Essa é a entrada facilitada do Mercosul. Aproveite essa primeira ida para organizar endereço e itens locais do pedido.
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Protocole o pedido de residência pelo Acordo de Residência do Mercosul na Migraciones. Com os documentos em ordem, você formaliza o pedido e paga as taxas oficiais vigentes. Nesse momento você recebe a Residencia Precaria, um documento provisório que legitima a sua permanência enquanto o pedido é analisado.
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Aguarde a análise e a resolução da residência. Sem aceleração, a análise do Carnet leva cerca de 3 a 4 meses; com a aceleração, serviço adicional, cerca de 30 a 45 dias.
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Solicite a cédula de identidade paraguaia. A cédula exige presença física para a biometria. Quem a deixa agendada já para a primeira ida, com a emissão em via rápida, resolve tudo numa viagem; os demais voltam ao país uma segunda vez.
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Solicite o RUC depois da cédula. Com o documento de identidade em mãos, você já pode tirar o RUC, o registro que abre conta em banco de verdade, contrato e negócio próprio. Atenção: a inscrição (Inscripción) é só o começo; a emissão do RUC exige um comparecimento presencial do titular na DNIT depois da cédula, feito por você mesmo e não por procuração.
Para o detalhamento de cada etapa da cédula em si, com prazos e erros comuns que valem para qualquer nacionalidade, veja o nosso guia principal sobre residência no Paraguai e cédula.
Quantas viagens e quanto tempo leva o processo
Um recado honesto: a entrada facilitada do Mercosul não define o número de viagens. Quem define é a biometria da cédula. Marcada já para a primeira ida, com a emissão em via rápida, uma viagem basta; sem isso, são duas idas, uma para protocolar o pedido e organizar a base local, e outra para a cédula. Para o brasileiro, essa logística pesa menos, porque a distância e o custo da passagem até Assunção são bem menores do que para quem vem de outros continentes.
A parte que mais influencia o prazo total está no seu controle: a preparação dos documentos no Brasil. Reunir certidão de nascimento, certidão de antecedentes e apostila costuma levar de 5 a 7 semanas, mesmo quando você já sabe o que precisa. Depois do protocolo, a análise do Carnet na Migraciones leva cerca de 3 a 4 meses sem aceleração.
A emissão da cédula tem fila própria e, no caminho comum, sai cerca de 1 a 2 meses depois do Carnet. No roteiro de duas viagens, somando a marcação da segunda ida, o processo completo até a cédula fecha entre 5 e 7 meses. No de uma viagem, com biometria na primeira ida e cédula em via rápida, fecha em 3 a 4. São faixas de referência, não promessas, e variam conforme a demanda do período e a integridade da sua documentação.

Custos da residência para brasileiros em USD
As taxas oficiais são cobradas em guaranis. Pela via do Mercosul, o arancel da temporária na Migraciones é de 2.341.540 guaranis, perto de $400; a permanente, mais adiante, custa 25 jornales mínimos, 2.926.925 guaranis, perto de $500. Somam-se a taxa da cédula, o informe da Interpol e, se for o caso, o escribano. O maior custo, na maioria dos casos, não é a taxa oficial, e sim os itens que cercam o processo: apostila em cartório brasileiro, passagens e hospedagem durante as viagens.
Para quem prefere apoio, o Pacote Light custa $600 em preço de ação (valor normal $875) e serve a quem já domina espanhol, prefere reunir a própria papelada e ainda assim quer um gestor junto na Migraciones.
O Pacote Standard, por $1.400 em preço de ação (valor normal $2.100), cobre residência e cédula com as taxas oficiais incluídas e apoio na busca de moradia, cujo contrato um advogado parceiro revisa. O Pacote Premium, por $2.400 em preço de ação (valor normal $2.600), resolve tudo numa viagem e já inclui a inscrição no RUC.
O acompanhamento até a residência permanente, que antes vinha num pacote próprio, é desde setembro de 2026 um serviço adicional. As taxas oficiais no Paraguai estão incluídas a partir do Standard; no Light você as recolhe por conta própria. A apostila feita no Brasil é paga à parte em qualquer um deles. O pagamento segue a estrutura de 50% na contratação e 50% ao receber a Residencia Precaria.
Quem chega do Brasil com capital para investir pode encurtar o caminho. O Investor Pass leva direto à residência permanente, a partir de 70.000 USD numa empresa com plano de negócios e cinco empregos formais ou de 200.000 USD num imóvel de investimento. Também nesse trâmite, os documentos brasileiros em português dispensam tradução.
Quanto ao custo de viver no Paraguai depois da residência, vale conferir o nosso panorama de custo de vida no Paraguai em 2026.
Erros comuns que brasileiros cometem no pedido de residência
O erro mais frequente não é falta de documento, é falta de apostila. Muita gente sabe que as certidões brasileiras dispensam tradução e conclui, errado, que também dispensam apostila, e chega ao balcão da Migraciones para descobrir que precisa refazer tudo. O acordo simplifica a categoria migratória, não elimina a exigência de documentos reconhecidos.
O segundo erro é de timing: tirar a certidão de antecedentes cedo demais e deixá-la vencer antes de protocolar. O terceiro é contar com uma única viagem sem ter agendado a biometria da cédula para essa ida. Reunir a documentação com calma e confirmar os requisitos vigentes antes de embarcar evita praticamente todos esses tropeços.
Perguntas frequentes sobre residência no Paraguai para brasileiros
Brasileiro precisa de visto para entrar no Paraguai?
Não. Como membro do Mercosul, o Brasil tem acordo de livre circulação com o Paraguai, e o brasileiro entra apresentando apenas o documento de identidade ou o passaporte, sem visto prévio. Essa facilidade vale para entrada e turismo; para morar de forma permanente, você ainda precisa do pedido de residência.
O que é o Acordo de Residência do Mercosul?
É um tratado entre os países do bloco que simplifica o pedido de residência para os cidadãos dos países-membros, incluindo o Brasil. Ele reduz parte da papelada, mas ainda exige documentos apostilados e o protocolo formal na Migraciones. A temporária concedida por essa via vale dois anos e não é prorrogável.
Quais documentos brasileiros precisam de apostila para a residência paraguaia?
O núcleo é a certidão de nascimento e a certidão de antecedentes criminais, emitidas no Brasil e apostiladas pela Convenção de Haia. Por estarem em português e terem sido emitidas no Brasil, dispensam tradução na Migraciones e na cédula. Casados ou com filhos, some certidão de casamento e certidões dos dependentes.
Quantas viagens o brasileiro precisa fazer para tirar a cédula?
Uma ou duas. Com a biometria agendada para a primeira ida e a cédula em via rápida, uma basta; sem isso, são duas, uma para protocolar o pedido e outra para a cédula, que exige presença física. A proximidade entre Brasil e Paraguai torna essa logística mais leve do que para quem vem de outros continentes.
Quanto custa a residência no Paraguai para um brasileiro?
Pela via do Mercosul, a taxa da temporária fica perto de $400 e a da permanente, mais tarde, perto de $500, ambas cobradas em guaranis, além de cédula e Interpol. O custo maior costuma vir de apostila, passagens e hospedagem. Quem prefere apoio profissional encontra pacotes de $600 a $2.400; as taxas oficiais estão incluídas a partir do Pacote Standard.
Se você é brasileiro e quer aproveitar a facilidade do Mercosul sem tropeçar na apostila ou no prazo das certidões, fale com a gente e organizamos o seu caminho até a cédula com base nas regras vigentes.
Aviso: Este artigo é informação geral e não constitui aconselhamento migratório, fiscal ou jurídico. O marco legal no Paraguai e as regras do Acordo de Residência do Mercosul podem mudar. Consulte um profissional para o seu caso.
Fontes oficiais: as informações desta página baseiam-se em fontes oficiais paraguaias. Como as regras mudam, confirme sempre os dados atuais diretamente em: Dirección Nacional de Migraciones e DNIT, além da autoridade fiscal do seu país de origem. Situação: setembro de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Acompanhamento de residência no Paraguai
Passa temporadas regulares no Paraguai e acompanha, junto com a equipe em Assunção, brasileiros e portugueses no caminho até a residência e a cédula.



