Muita gente que pensa em morar no Paraguai quer saber como é, na prática, recomeçar em Assunção sem conhecer ninguém. Planilhas de custo de vida e prazos da Migraciones respondem uma parte. A outra parte só quem chegou antes consegue contar: gente que passou pelo estranhamento dos primeiros meses e acabou montando um negócio na capital. É com essas pessoas que abrimos a série de entrevistas Fundadores em Assunção.
Na parte 1, quem fala é Sam Goetz, fundador da escola de espanhol Fluido, em Villa Morra. Ele desembarcou em 2025 como nômade digital americano, passou as primeiras semanas longe de se sentir em casa e, em fevereiro de 2026, abriu a escola que tinha procurado na cidade sem encontrar. O que ele conta sobre rotina, burocracia e idioma serve para qualquer recém-chegado, venha do Brasil, de Portugal ou de outro canto do mundo.
Nota de transparência: a Fluido faz parte da nossa rede de parceiros. Recomendamos a escola porque a consideramos boa; não há desconto por meio de nós nem comissão para nós. Sam respondeu às nossas perguntas por escrito, em inglês, em setembro de 2026, e traduzimos as respostas para o português da forma mais fiel possível. Adaptamos uma pergunta para esta edição: a que trata dos pontos fortes e dos erros dos alunos conforme o país de origem.
Sam Goetz em resumo:
- Origem: Nova Jersey, Estados Unidos
- Antes do Paraguai: fundador do software de música Stemmer, morando por último na Filadélfia
- No Paraguai: desde 2025, depois de três meses numa escola de espanhol no Peru
- Fundação: Fluido, fevereiro de 2026, em Villa Morra (Assunção)
- Conceito: espanhol só presencial, em turmas de no máximo quatro alunos
Fundadores em Assunção: como Sam Goetz veio parar no Paraguai
Você cresceu em Nova Jersey e tocava uma empresa de software como nômade digital. Por que justamente o Paraguai? O que você sabia do país antes de desembarcar?
Depois da faculdade, abri uma empresa de software de música chamada Stemmer e me mudei para a Filadélfia, na Pensilvânia. A empresa começou a dar lucro depois de três anos, mas não o suficiente para me sustentar. E eu já estava cansado de dividir a casa com três pessoas, então decidi dar uma pausa na correria e sair numa aventura em abril de 2025.
Quase escolhi o Leste Asiático, mas fiquei com a América Latina porque senti que, se era para viver uma aventura, eu deveria pelo menos participar da cultura e do idioma, e eu já sabia um pouco de espanhol. Fui primeiro para o Peru e foi ótimo. Me matriculei em período integral numa escola de espanhol de nível mundial, que virou a minha base.
Foi incrível, e fiquei viciado em aprender espanhol. Eu ia para a aula de quatro a seis horas por dia, estudava e fazia a lição de casa. Mas aí o meu visto de três meses acabou e tive que escolher outro país.
Foi por eliminação. Eu não queria ter a sensação de estar "voltando para casa" na direção dos Estados Unidos, então evitei subir para a América Central. Quase escolhi a Colômbia, mas ela não me pareceu muito segura. A Argentina parecia um pouco cara. Ouvi dizer que o Chile tinha um sotaque muito forte, e isso me assustou.
Um amigo me disse: "Sam, vamos para o Paraguai. Não seria legal ir para um lugar aonde poucos turistas vão?" Eu respondi: "De jeito nenhum." Mas depois percebi: é muito seguro, é muito acessível e, embora não tenha muitas atrações turísticas, pensei que talvez por isso mesmo fosse um bom lugar para me concentrar e avançar no trabalho da minha empresa de software.
Você já disse que os primeiros meses aqui foram mais difíceis do que esperava e que você "não se sentia em casa". O que exatamente foi difícil, e quando isso começou a mudar?
Faltava uma rotina social estruturada em Assunção. Cheguei aqui e não acreditei em como era calmo. Árvores por toda parte, algumas crescendo até no meio da rua. Como muita gente que vem de Lima e pousa às 6h da manhã, dormi o primeiro dia inteiro. Aí acordei e parecia que eu estava no meio de um bairro de subúrbio (eu estava hospedado no prédio We Villa Morra, em Recoleta).
Era agradável, mas depois de alguns dias eu estava sofrendo. Tudo o que eu fazia era acordar tarde no meu Airbnb, trabalhar no meu Airbnb, sair para almoçar e voltar a trabalhar no meu Airbnb. Eu não tinha a rotina social que a escola onde estudei em Lima, no Peru, me entregava de bandeja.

Você testou várias escolas de espanhol antes de abrir a sua. O que faltava?
Eu queria melhorar o meu espanhol, mas, mais importante, precisava de um lugar ao qual pertencer. Precisava do compromisso de uma rotina. Queria me sentir em casa numa escola intensiva de espanhol, como me senti no Peru. Queria professores profissionais, aulas em grupos pequenos e um currículo estruturado. Queria acordar e ir para a escola com os meus colegas. Testei três escolas aqui, mas não encontrei essa experiência.
Você já criava produtos como o Stemmer. Em que momento decidiu que uma escola de idiomas física era o que queria construir, e o que as pessoas ao seu redor disseram?
Nunca na vida imaginei que abriria uma escola de espanhol no Paraguai. Os meus professores de espanhol do ensino médio também não acreditariam! Era a minha pior matéria. Mas, sinceramente, eu estava muito frustrado com o meu estilo de vida aqui. Ao mesmo tempo, vi quantos estrangeiros estavam se mudando para cá. Percebi que essa era de verdade a oportunidade da minha vida e, como eu mesmo sou o cliente, fazia sentido para mim abrir esse negócio.
Voltei aos Estados Unidos para buscar os meus documentos de imigração. As pessoas ficavam de queixo caído quando me perguntavam como tinha sido a viagem pela América do Sul: "Boa, estou voltando para abrir uma escola de espanhol no Paraguai." Normalmente me olhavam chocadas e depois perguntavam: "Mas no Paraguai já não se fala espanhol?"
Os meus amigos que têm empresas de software não conseguiam entender por que eu entraria num negócio físico: "Isso é escalável mesmo?"
Construindo a Fluido: abrir uma escola de espanhol em Assunção
A Fluido abriu em fevereiro de 2026, primeiro num café e depois numa casa em Villa Morra. Como foram as primeiras semanas? Como você encontrou os primeiros alunos?
Aquela primeira semana foi a que mais trabalhei na vida. Eu tinha divulgado a Fluido com antecedência, com posts de blog e vídeos no YouTube. Então, antes mesmo de abrirmos, as pessoas já estavam entrando em contato para experimentar as aulas. Isso tirou o negócio de dentro de mim muito rápido. Mesmo querendo oferecer uma experiência de nível mundial desde o início, tivemos que começar num café, porque os alunos estavam prontos.
Corri para alugar um espaço e, finalmente, a nossa casa estava alugada e pronta para a segunda semana de aulas.
Como foi montar um negócio no Paraguai sendo estrangeiro: registrar, alugar, contratar, lidar com a burocracia? O que surpreendeu você, para o bem ou para o mal?
Não é divertido, mas tenho que admitir que isso seria um desafio e uma burocracia em qualquer país. Aqui, como estrangeiro recém-chegado, é ainda mais difícil, com certeza. Quer alugar um lugar, mas não tem histórico tributário aqui? Prepare-se para pagar de 6 a 12 meses adiantados.
Eu conto com várias equipes de profissionais que me ajudam com o registro do negócio, as contratações e a burocracia.
O que surpreende é que abrir uma empresa paraguaia do tipo EAS é, na verdade, muito fácil e gratuito. É algo parecido com uma LLC. Existe um site moderno para fazer isso. Ao longo do meu processo, acabei registrando duas EAS diferentes, cada uma com menos ajuda que a anterior. Se um dia eu abrir outra, vou fazer sozinho.
Na verdade, primeiro tentei fazer tudo sozinho, e até pedi a residência sem advogado nem agência. Eu tinha muito medo de ser enganado. Me arrependo disso. Se eu tivesse procurado a ajuda de um especialista para os meus objetivos, poderia ter aberto a Fluido meses antes.
Nota da redação: a EAS (Empresa por Acciones Simplificadas) foi criada pela Lei 6480/2020 e é constituída pelo SUACE, o balcão único do governo paraguaio para abrir empresas. Com o estatuto padrão gerado pelo próprio sistema, não há escritura em cartório nem taxa de constituição. Quando a EAS é o formato certo e quando uma SRL, uma SA ou uma US LLC servem melhor, explicamos no guia sobre abrir empresa no Paraguai.
Você descreve as suas contratações como "seletivas além da conta": milhares de candidatos, pouquíssimas contratações. O que você procura num professor que um diploma sozinho não mostra? E por que criou o seu próprio programa de formação de professores?
Os nossos professores fazem os alunos se sentirem vistos e ouvidos em sala. Eles precisam estar "com" os alunos, e não lá na frente, junto da TV e do quadro branco. É difícil de explicar, mas é uma característica rara, que dá para sentir. Antes de contratar um novo professor, fazemos várias aulas de demonstração e nos perguntamos: "Eu voltaria para a aula amanhã se este fosse o meu professor?"
No começo, só contratávamos professores com experiência em ensinar espanhol para estrangeiros. Mas acabaram os candidatos que atendiam ao nosso padrão. Por outro lado, recebemos candidaturas de muitos professores de inglês de nível mundial. Então percebemos que podíamos ensinar os melhores professores de inglês a dar aulas de espanhol. Foi assim que nasceu o nosso Programa de Formação de Professores de 36 horas.
As suas turmas têm no máximo quatro alunos, e as aulas são só presenciais. Por que não crescer com turmas maiores ou aulas online?
Eu tenho uma missão: fazer os estrangeiros se sentirem em casa no Paraguai. Quero oferecer a eles uma rotina social regular, e isso envolve vir à escola e fazer parte da nossa comunidade. Aulas online não servem à nossa missão.
Quando eu estava aprendendo espanhol no Peru, percebi que, quando uma turma chegava a cinco alunos, a minha experiência piorava muito. Eu não recebia atenção suficiente durante a aula. Mas com quatro alunos estava tudo bem.
O que você faria diferente se começasse a Fluido de novo hoje?
Eu teria procurado um especialista local (um escritório de advocacia ou uma agência de imigração) e explicado que queria abrir um negócio o mais rápido possível, em vez de tentar descobrir tudo sozinho.
A maior lição que aprendi desde que abri a Fluido é: "Procure o especialista."
A regra do Sam vale também para a residência e a cédula. Se você prefere não decifrar a imigração paraguaia por tentativa e erro, uma conversa inicial sem compromisso mostra qual caminho combina com o seu caso. Depois acompanhamos você nos documentos, nas traduções feitas no Paraguai quando exigidas e em cada etapa na Migraciones.
Aprender espanhol no Paraguai: voseo, guarani e o ritmo de cada um
A Fluido ensina o espanhol latino-americano com tempero paraguaio, incluindo o "vos" no lugar do "tú". Quão diferente é o espanhol do Paraguai daquele que as pessoas aprendem em aplicativos ou na Espanha?
Quando eu estava no começo da minha própria jornada com o espanhol, me preocupava muito com o país onde iria aprender, porque não queria "desperdiçar" tempo com um dialeto ou um sotaque pouco prático. Com a perspectiva de hoje, é tudo a mesma língua. Qualquer país que você escolher vai ter palavras um pouco diferentes para algumas coisas, assim como os americanos chamam de "french fries" o que os britânicos chamam de "chips". Mas aprender inglês no Reino Unido ainda daria a você fluência completa nos Estados Unidos.
Alguns países da América Latina usam "tú" e outros usam "vos" para tratar alguém de forma informal. Felizmente, as conjugações verbais são muito parecidas, e muitas vezes idênticas. No Paraguai, usamos "vos". Na Fluido, tendemos a usar "vos", mas às vezes incluímos o "tú" quando necessário.
Aprender espanhol em qualquer lugar da América Latina vai ser mais fácil do que o espanhol da Espanha, porque não usamos nem ensinamos as conjugações de "vosotros".
O espanhol dos aplicativos continua sendo o mesmo espanhol que alguém aprenderia na Fluido. Mas é provável que o espanhol mexicano que os aplicativos costumam usar tenha algumas palavras diferentes das usadas no Paraguai. Tudo bem.
E o guarani e o jopara? Quanto um recém-chegado precisa saber, e isso aparece nas aulas?
Recém-chegados não precisam de nada de guarani ou de jopara; mas, se aprenderem algumas frases, vão impressionar os paraguaios e talvez arrancar umas risadas.
Por padrão, não ensinamos guarani em sala, para não sobrecarregar os alunos com dois idiomas ao mesmo tempo. Mas, se os alunos pedirem, eles aprendem um pouco.
Dito isso, um pouco de guarani é inevitável. A palavra para "pipoca", por exemplo, muda em cada país latino. No Paraguai, usa-se a palavra guarani pororó.
Você diz que a maioria das pessoas chega a uma fluência real em dois a seis meses, se estudar a sério. O que separa os alunos que chegam lá dos que não chegam?
Estas são as características dos alunos que aprendem mais rápido:
- Eles se esforçam para falar espanhol com os paraguaios. Pode ser qualquer pessoa, até o motorista de táxi.
- Eles têm coragem de tentar falar espanhol, apesar do medo de errar.
- Eles fazem a lição de casa e estudam.
- Eles não se preocupam em apressar o processo para atingir um nível arbitrário num prazo determinado.
Muita gente que pensa em se mudar para o Paraguai está na faixa dos 40, 50 ou 60 anos. É mais difícil aprender espanhol nessa idade, e que conselho você dá a quem aprende mais tarde?
Percebi que os nossos alunos mais jovens tendem a aprender mais rápido.
A maioria dos nossos alunos está na faixa dos 40 ou 50 anos. O meu conselho para eles, e para todos que estão aprendendo, é não serem duros consigo mesmos se não aprenderem tão rápido quanto esperavam. Aprender espanhol envolve reprogramar o cérebro. Pode doer um pouco, mas isso é, literalmente, o crescimento acontecendo. Também recomendo que saiam da zona de conforto e tentem puxar conversa em espanhol com os paraguaios.
Os seus alunos vêm de muitos países diferentes. Você nota pontos fortes ou erros típicos conforme a origem de quem está aprendendo?
Muitos dos nossos alunos atuais são alemães ou suíços. Todos eles já aprenderam pelo menos um outro idioma (muitas vezes o inglês), e parece que já ter conquistado outra língua dá força mental. Eles acreditam em si mesmos.
Qual é o nível mínimo de espanhol que você recomendaria para quem quer morar aqui, dar conta do dia a dia e lidar com as autoridades?
O Paraguai tem camadas. Você poderia ficar na bolha dos estrangeiros e nunca aprender espanhol, mas isso deixa muitas experiências pelo caminho. O Paraguai tem uma cultura rica e moradores simpáticos, com vontade de mostrar o mundo deles a você: na língua deles.
Nota da redação: Sam não fala de alunos lusófonos, então fica aqui a nossa observação. Para quem vem do Brasil ou de Portugal, a distância até o espanhol é menor do que para os alemães e suíços que ele cita, e justamente por isso o portunhol confortável demais e os falsos cognatos viram a armadilha mais comum. O guia sobre espanhol e guarani no Paraguai mostra quanto de cada idioma você precisa na burocracia e no dia a dia.
Mais que uma escola de idiomas: comunidade para estrangeiros no Paraguai
A sua missão é "fazer os estrangeiros se sentirem em casa no Paraguai". Além das aulas, vocês organizam salsa, voluntariado e eventos sociais. Como é uma semana típica de um aluno na Fluido?
Um dos nossos alunos fez um ótimo vídeo no YouTube mostrando uma semana na vida de um aluno da Fluido: uma semana na Fluido (YouTube).
Para os alunos das turmas da manhã, a semana é mais ou menos assim:
- Acordar, ir a pé ou de Uber para a escola e aproveitar, às 8h50, um café moído na hora e torrado aqui mesmo pela Totem Tostadores.
- Conversar com alguns colegas enquanto espera a aula começar.
- Às 9h, ir para a aula. O tempo voa com o seu professor de nível mundial e colegas divertidos, e logo chega o intervalo das 11h.
- Fazer um intervalo de 20 minutos: jogar pingue-pongue, tomar um ar, comprar um lanche no café da mesma rua.
- Depois da aula, talvez almoçar com um colega às 13h.
- Talvez a gente organize um asado na sexta-feira, então você aparece às 20h. Preparamos uma montanha de comida, e você aproveita muitas horas antes de ir para casa.
- Como muitos dos nossos alunos, talvez você tenha feito amizade com os colegas, e vocês saem juntos para beber alguma coisa no sábado à noite.
Sei que cumpri a minha missão quando vejo alunos fazendo amizade e se encontrando fora da escola. Isso me traz uma enorme realização. É a experiência que eu queria ter tido aqui, e tenho orgulho de tê-la criado.
Em setembro de 2026 você lançou um programa de hospedagem com famílias paraguaias. Por que começou, e para que tipo de aluno ele serve?
Alguns dos nossos alunos não praticam espanhol o suficiente fora da escola. Se pudessem passar uma ou duas semanas com uma família local, o aprendizado deles aceleraria e, claro, eles literalmente se sentiriam em casa.
Alguns alunos que estão no Paraguai só por uma temporada curta nos pedem isso. Muitos estrangeiros que já têm um contrato de aluguel de longo prazo tendem a não ser o perfil.
Anunciamos o programa e temos demanda de alunos, mas ainda estamos procurando famílias. Um desafio é que as famílias precisam morar perto o bastante para ir a pé até a Fluido, e isso limita o número de candidatas.
Você já escreveu sobre os grupos sociais que os estrangeiros formam em Assunção. Qual deles recomendaria a quem acabou de chegar, e que armadilha a pessoa deve evitar?
O melhor ponto de partida são os encontros organizados pelo Asunción Times. Dá para encontrá-los pelo grupo deles no Facebook, Digital Nomads & Expats in Asunción. Pode levar um tempo até você conseguir entrar no grupo de WhatsApp, porque ele vive lotado. Você também vai conhecer muitos paraguaios nesses eventos.
A armadilha a evitar: reclamar o tempo todo do que falta no Paraguai. É fácil comparar o Paraguai com os nossos países de origem, principalmente quando estamos cercados de outros estrangeiros. Mas, se você pega esse hábito, os paraguaios se cansam de ouvir. Os estrangeiros costumam ser muito bem recebidos no Paraguai, e devemos manter as coisas assim.
Para quem chega do Brasil, a comunidade brasileira é mais uma porta de entrada, com igrejas, cooperativas e grupos por cidade, como mostra o nosso retrato dos brasileiros no Paraguai.
Vida em Assunção: o que Sam Goetz ama e o que ainda o frustra
O que você ama em morar em Assunção, e o que ainda frustra você?
Adoro como os paraguaios são tranquilos. Adotei um pouco dessa cultura. Quando organizo eventos como asados e torneios de pingue-pongue, em vez de planejar muito, eu simplesmente anuncio, planejo um pouquinho e deixo rolar. Sempre dá certo.
É difícil encontrar regras documentadas para vários processos, como licenças do governo para o nosso negócio, normas tributárias e até coisas simples como abrir uma conta bancária ou tentar conseguir um cartão de crédito.
O que as pessoas mais subestimam quando se mudam para o Paraguai?
Sinceramente, vi muitos estrangeiros subestimarem a necessidade de falar espanhol. Às vezes as pessoas percebem isso já no aeroporto e nos mandam mensagem: "Preciso urgentemente aprender espanhol." Claro que dá para sobreviver aqui sem espanhol, mas seria como viver numa bolha.
Se um amigo dissesse amanhã "vou me mudar para Assunção no mês que vem", quais seriam as três primeiras coisas que você diria a ele?
- Não tente economizar morando longe de onde as coisas acontecem, como em Luque. Você só vai gastar mais com Uber e Bolt.
- Se você gosta de carne ao ponto para malpassada, precisa deixar isso bem claro. A cultura aqui é de carne bem passada. Se for pedir um bife no restaurante e quiser ao ponto para malpassado, diga "a punto".
- O Bolt costuma ser mais barato e mais rápido que o Uber, mas é, com certeza, menos seguro, porque não verifica tanto os motoristas e os veículos.
Onde você vê a Fluido, e você mesmo, daqui a três anos?
Vejo a Fluido cheia, com 100 alunos por semana, numa casa maior. Gostamos de estar numa casa em vez de um escritório, porque o clima é mais acolhedor e combina, literalmente, com a nossa missão de ajudar os estrangeiros a se sentirem em casa no Paraguai.
Nesse ponto, me vejo ou apostando ainda mais no Paraguai e abrindo outros negócios aqui, ou levando a Fluido para outras cidades da região.
Respostas rápidas: Sam Goetz e o Paraguai em uma linha

- Comida paraguaia favorita: Mbejú Caprese
- Palavra ou expressão paraguaia favorita: Nderakóre
- Melhor bairro de Assunção para recém-chegados: Villa Morra, por ser o mais central
- Um lugar que todo recém-chegado deveria conhecer: os bares do Paseo Carmelitas (depois das 23h)
- Tereré ou mate? Tereré
Fundadores em Assunção: o que vem nos próximos capítulos
Do relato do Sam fica uma lição que não aparece em nenhuma tabela de custo de vida: a adaptação começou a funcionar quando a semana ganhou um ponto fixo, um lugar para estar às nove da manhã e gente que sentia a falta dele. Para quem chega do Brasil ou de Portugal, esse ponto fixo pode ser uma escola, um coworking, uma igreja ou o futebol do bairro. O que não dá é deixar os primeiros meses passarem dentro de casa.
Nas próximas partes de Fundadores em Assunção, conversamos com outras pessoas que abriram um negócio no Paraguai e fazemos as mesmas perguntas: como começaram, onde erraram e o que fariam diferente.
Se você ainda está escolhendo onde morar, o guia de bairros de Assunção compara Villa Morra, Carmelitas, Recoleta e Las Mercedes em aluguel, deslocamento e rotina. Para a fase logo depois do desembarque, o checklist dos primeiros 30 dias no Paraguai organiza o que resolver em cada semana. A escola em si você encontra na Fluido Spanish.
Prefere ter companhia no caminho até a residência em vez de ir sozinho? Conte para nós o seu cronograma e organizamos com você a papelada da residência e da cédula, para que, depois de chegar, a sua energia vá para onde os alunos do Sam colocam a deles: se instalar, aprender o idioma e conhecer gente.
Aviso: Este artigo é informação geral e não constitui aconselhamento fiscal, jurídico ou de investimento. As respostas refletem a experiência pessoal do entrevistado. O marco legal no Paraguai e no seu país de origem pode mudar. Consulte um profissional para o seu caso.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Consultor de residência no Paraguai
Vive em Assunção e acompanha brasileiros e portugueses no caminho até a residência, a cédula e uma estrutura fiscal eficiente no Paraguai.
Com apoio local de
Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção
Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.






