O regime de incentivo ao investimento do Paraguai vive um bom momento, e com um detalhe que costuma passar despercebido. Até julho de 2026, os projetos aprovados somam US$ 448 milhões, uma alta de 32% frente ao mesmo período do ano passado. A novidade é quem está puxando esse número: o capital local, e não o estrangeiro.
Os números até julho
Os dados vêm do regime de atração de investimentos, a nova moldura que substituiu a histórica Ley 60/90. No acumulado dos sete primeiros meses, foram 116 projetos aprovados, 15% a mais que em 2025, com previsão de gerar cerca de 2.621 empregos formais.
Do total de US$ 448 milhões, o capital nacional respondeu por US$ 334 milhões, alta de 35% no ano. O investimento estrangeiro somou US$ 114 milhões, com crescimento de 26%. Ou seja: os dois avançaram, mas o dinheiro paraguaio cresceu mais rápido.
O capital local na dianteira
Esse é o ponto que merece atenção. Cerca de três quartos do investimento aprovado no período são de origem nacional. Isso mexe um pouco na narrativa comum de que o Paraguai só cresce por causa de estrangeiros que chegam atrás de imposto baixo.
Quando o empresário local aposta o próprio dinheiro em projetos de médio e longo prazo, é um sinal de confiança que costuma pesar mais do que qualquer campanha de marketing. Economia que atrai o poupador de dentro tende a ser lida como mais madura por quem olha de fora.
Ley 7548/2025: o novo regime
A base legal é a Ley 7548/2025, o novo regime de incentivos fiscais para o investimento nacional e estrangeiro, sucessora da antiga Ley 60/90 que por décadas foi o principal instrumento do país. A ideia é a mesma, modernizada: benefícios fiscais para projetos que cumprem certos requisitos de produção e de geração de emprego.
Os setores que mais aparecem são alimentos, têxtil e vestuário, metais, químico-farmacêutico e plásticos, que concentram a maior parte dos empregos previstos. A indústria responde por cerca de 73% das aprovações.
O que isso diz para quem olha o Paraguai
Convém separar dois planos que se confundem. Esse regime é a via corporativa: empresas e projetos que investem no país e recebem incentivos fiscais em troca. É outra conversa que o benefício pessoal do princípio territorial, o 0% sobre a renda de fonte estrangeira para quem tem residência fiscal efetiva.
Ainda assim, para quem estuda o Paraguai como base, o recado de fundo é útil: um ambiente onde o capital de dentro e o de fora crescem juntos costuma ser mais estável. Se você pensa em montar operação local, o guia de investir no Paraguai e o panorama da economia do Paraguai ajudam a dimensionar o passo.
Fontes
- ABC Color, Revista PLUS e Prensa Mercosur (agosto de 2026): US$ 448 milhões aprovados até julho, alta de 32%, com capital nacional em US$ 334 milhões e estrangeiro em US$ 114 milhões.
- Regime de atração de investimentos (Ley 7548/2025): 116 projetos aprovados e cerca de 2.621 empregos previstos, com a indústria em 73% das aprovações.
Fontes oficiais: os dados do regime de investimento podem ser confirmados no Ministério da Indústria e Comércio. Situação: agosto de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Consultor de residência no Paraguai
Vive em Assunção e acompanha brasileiros e portugueses no caminho até a residência, a cédula e uma estrutura fiscal eficiente no Paraguai.
Com apoio local de
Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção
Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.




