O Paraguai está acostumado a se ver como exportador de energia, mas o tom mudou. O ministro Javier Giménez falou em uma etapa crucial para evitar uma crise elétrica: se o país não colocar nova geração de pé, o excedente que sempre sobrou pode se esgotar por volta de 2030. O alerta apareceu em reportagem do ABC Color em 13 de julho de 2026 e resume um problema simples de contas.
Do excedente confortável ao alerta de 2030
A conta é esta: o consumo elétrico cresce cerca de 8% ao ano, enquanto a capacidade de geração ficou praticamente parada, apoiada apenas nas hidrelétricas de Itaipú, Yacyretá e Acaray. Nas projeções de crescimento médio ou alto, a demanda passaria a superar a oferta entre 2030 e 2032 se nada for feito. E há um detalhe de tempo: quanto mais tarde as decisões, menor a janela para reverter o quadro, por isso a pressa já em 2026.
As opções na mesa
Não existe uma bala de prata, e sim um conjunto de caminhos em discussão: importar gás (inclusive de Vaca Muerta, na Argentina), repotenciar as hidrelétricas existentes, investir em solar com baterias, explorar energia eólica na região de Pedro Juan Caballero e pequenas centrais hidrelétricas.
Um piloto de painéis solares flutuantes em Itaipú aparece como promissor, com custo estimado em torno de 30 a 35 dólares por MWh, contra 60 a 70 de outras fontes novas. No pano de fundo, discute-se abrir o mercado da ANDE a capital privado para acelerar os investimentos.
Por que isso interessa a quem pensa no Paraguai
Energia estável e barata é parte concreta da atratividade do país, do custo de vida à corrida por data centers de inteligência artificial. Um aperto na oferta, no médio prazo, tende a influenciar tarifas e decisões industriais. Ainda assim, é um debate de infraestrutura e de matriz, não um sinal de mudança tributária.
O que isso não muda
Aqui vale a separação de sempre. O regime territorial do Paraguai segue igual: 0% sobre a renda de fonte estrangeira, conforme a Ley 6380/2019. O que sustenta esse benefício continua sendo a sua residência fiscal efetiva e as regras do país de origem, não a matriz elétrica. Para entender o quadro econômico com calma, vale a leitura sobre a economia do Paraguai.
Fontes
- ▹ABC Color (13/07/2026): declarações de Javier Giménez sobre a etapa crucial.
- ▹La Nación e análises setoriais: projeções de 2030 a 2032 e opções de geração.
Fontes oficiais: as informações desta página baseiam-se em fontes oficiais e na imprensa paraguaia. Como as regras e os projetos mudam, confirme sempre os dados atuais em: ANDE e Itaipú Binacional. Situação: julho de 2026.

Sobre o autor
Yannick Schroth
Fundador · Consultor de residência no Paraguai
Vive em Assunção e acompanha brasileiros e portugueses no caminho até a residência, a cédula e uma estrutura fiscal eficiente no Paraguai.
Com apoio local de
Camila RodriguesEspecialista em emigração e relocação · Assunção
Vive em Assunção e acompanha os clientes no dia a dia do processo: documentos, cédula e os passos locais para se estabelecer no Paraguai.




